quarta-feira, 27 de julho de 2011

Entre a pressa e a preguiça: o aprendizado da paciência

                       Quem já passou dos quarenta anos e viveu em algum recanto do Brasil experimentou, certamente, exercícios sistemáticos de paciência. Paciência para enviar uma carta e ter de aguardar uns quinze dias a resposta; para esperar aquecer o tubo de imagem da televisão, em seguida ajustar com cuidado as linhas verticais e horizontais e,  ainda, arrumar a esponja de aço que ficava na ponta da antena... Paciência para tolerar os chiados do som ‘mono’, sonhando com o ‘stereo’ dos aparelhos 3 em 1; para virar o lado dos discos de vinil a fim de ouvir todas as faixas, limpando de tempos em tempos, a agulha da vitrola ou, de forma artesanal, para desenrolar a fita cassete que se enroscava e comprometia, quase que irremediavelmente, aquela música preferida. Isso não bastando, era necessário aguardar a utilização das 12, 24 ou 36 poses do filme da máquina fotográfica, enviar para a revelação e torcer para que as fotos ficassem boas.
                Para muitos, esse relato trata de um tempo longíquo, tão distante que parece de outro mundo. Para outros, apenas a oportunidade de ser testemunha ocular da história. É fato,no entanto, que entre o saudosismo de uns é difícil perceber que as facilidades e a velocidade da modernidade acabaram por privar os jovens de oportunidades para exercitar a paciência.
                A vida é uma relação com o tempo e, para ser plena, necessariamente, deve ser repleta de planos, sonhos e esperas. A fuga do tempo, na atual lógica do instantâneo, precipita o fim; um fim difícil de decifrar por conta da sua natureza provisória. É similar ao que se faz ao envolver um abacate em um pano ou jornal: acelera-se o amadurecimento, mas compromete-se o sabor da fruta. É evidente, nas novas gerações, a relação de tortura com os ponteiros do relógio, nos remetendo a pensar que, como adultos responsáveis, nossa tarefa também seja a de ajudar esses jovens a reverem a importância do respeito ao tempo na construção do sentido da vida, a importância de ser paciente.
                Paciência que nada tem a ver com passividade, mas com a qualidade do que se aprende e se realiza durante a espera, sem perder de vista o horizonte móvel que direciona o nosso deslocamento. Quando se analisa a vida de pessoas que realizaram grandes feitos, em diversos campos, se tornam evidentes virtudes comuns, como paciência, perseverança e persistência, ou seja, nem pressa, nem preguiça. Sobre isso, já nos alertava Paulo Freire: “ninguém chega lá, saindo de lá”, defendendo, nesse sentido, a importância do desenvolvimento da paciência histórica. Não há mágica para as conquistas humanas. Se algo precisa ser aprendido, é necessário que alguém se disponha a ensinar e, nesses tempos, mais ainda, a dar o testemunho, visto que não há como ensinar algo que antes não se tenha aprendido.
                Essa dinâmica tacocrática, cuja raiz tem origem no tempo grego tákhos (rápido), que Bauman  intitula de “modernidade líquida”, ressalta, entre outras características, o perigo do consumo descartável como forma de preencher os vazios daqueles que andam somente porque têm pernas. Pessoas assim desenvolvem baixa resistência à frustração e pouca vitalidade para o enfrentamento da realidade.
             Se for verdade a crença de que a qualidade da escola tem relação direta com a qualidade das pessoas dela egressas, não há como questionar o fato de que no “patchwork curricular” o desenvolvimento de habilidades e competências são retalhos soltos a serem entretecidos, por meio de fios virtuosos, entre os quais se destacam a paciência, a perseverança e a persistência, a fim de dar firmeza e consistência à obra artesanal de cada vida inserida no trabalho educativo escolar.
Acedriana Vicente Sandi
Diretora Pedagógica da Editora Positivo

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Minha imagem é tudo!

Ferramentas de Marketing Pessoal podem ser grandes aliadas para a qualidade do professor

                Ser educador e andar  bem vestido sempre esteve na moda e são pré-requisitos  para todo e qualquer profissional. No universo educacional essa realidade não é diferente, principalmente aos professores, que enfrentam todos os dias um exigente público: seus alunos.
                Construir uma imagem profissional e pessoal pode levar algum tempo. De acordo com a consultora de etiqueta empresarial e autora do livro “A etiqueta que faz a diferença nas Empresas” (Editora Novatec, 2006), Elisabeth Farina, um incentivo a esse requisito é a competitividade cada vez mais acirrada no mundo empresarial, que exige qualificação constante e conhecimento das diversas ferramentas existentes, tais como a etiqueta empresarial e o Marketing Pessoal. “É fundamental que os professores tenham essas qualificações, já que têm o papel de transmitir ensinamentos e servir de exemplo” comenta.
                Saber lidar com a sua imagem pode ser um diferencial à carreira do profissional da educação. Segundo Elisabeth, a etiqueta pode contribuir para que qualquer profissional seja bem-sucedido, pois proporciona segurança pessoal para enfrentar as adversidades do cotidiano. Além disso, ao cuidar de sua imagem, o professor preserva a imagem da escola em que atua”, ressalta.
                A imagem que o professor transmite para seus alunos pode interferir no relacionamento existente entre eles, por isso, a postura desse profissional – dentro e fora do ambiente de trabalho – deve ser levada em conta sempre. “As escolas dão preferência a profissionais que saibam tratar os alunos com respeito, consideração e cordialidade. Para manter uma imagem adequada dois requisitos são essenciais: a boa imagem e o comportamento social adequado ao cargo”, orienta a consultora. De acordo com ela, se dois professores com conhecimentos técnico e currículos parecidos estiverem  pleiteando uma mesma promoção as habilidades sociais e a interação positiva com os alunos será o diferencial para o sucesso.
                Os enfrentamentos que o professor pode ter em sua carreira por conta da falta de etiqueta são muitos e exigem muito mais que um bom relacionamento com os alunos. É importante também que ele saiba lidar com os pais. Nesse sentido, uma atitude inadequada pode comprometer a carreira. “Se o professor não tiver habilidades sociais para lidar com os pais das crianças, tais como: respeito, consideração, tolerância, gentileza, cooperação, discrição poderá se prejudicar profissionalmente”, alerta.

Diocsianne Moura